“Conta pra ela, vai. Chega nela e fala. Fecha os olhos, se for preciso. Fecha os olhos e finge que é pro espelho, como você já fez uma vez. Diz pra ela que você sente muito. Que se arrepende de todas às vezes em que poderia ter mudado a situação com poucas palavrinhas (e evitado algumas noites de choro e preocupação da parte dela), mas ao invés disso só ficou parado sem falar nada, como o idiota que é. Pede desculpas por quando ficou confuso entre um ex amor do passado que ainda te balançava, um possível caso pro futuro que te excitava e entre ela. Pede desculpa por ter deixado ela como última opção quando você era a única escolha. Confessa que se sente culpado por todas às vezes que estragou os possíveis relacionamentos dela provocando-a e fazendo ela cair na sua de novo, mesmo que isso seja a mentira mais descarada do mundo e que você não se arrependa. Assume que é egoísta e não sabe perder, que é atrapalhado e não sabe possuir, que é mimado e mandão e que tudo tem que ser do seu jeito, que é orgulhoso e pra você você sempre tá certo, que é pior do que criança, que é infantil, que é canalha, galinha… Como se ela não te conhecesse melhor do que você. Se humilha, se for preciso. Fala que vai compensar pelas noites de sono perdidas, pelas lágrimas desperdiçadas no travesseiro, pelas dores de cabeça, pelos cortes, por tudo. No fundo ela só espera um sinalzinho verde pra não desistir, uma confirmaçãozinha de que você ainda tá nessa junto com ela. Mas não deixa ela cansar de vez de você.
“Se saudade trouxesse de volta, ela já estaria aqui e eu iria segurá-la pelas mãos e a puxaria para mim, a agarraria com todas as minhas forças para que nada mais a tirasse de mim.
— Daniela Soares =0
“No começo, você chora, faz birra, se arrepende por tudo ter acabado. Implora para o relógio á voltar algum tempo atrás. Quando acontece algo inusitado você corre para o telefone e em seguida o sorriso desaparece por que se lembras que não pode mais ligar, acabou. Tenta lembrar do passado sem ele, mas só se lembra de cada momento bobo que passaram. De quando dormiam abraçados. Quando ele te tava um beijo na testa e seguia pelo pescoço, sem malícias. O modo como ele segurava sua mão ao caminhar. O jeito bobo de te fazer sorrir. A forma como um encaixada no outro, sem a mais sem a menos, a medida perfeita do amor. O começo foi clichê, bobo e meloso. O meio foi épico, o destino conspirava igual a flor conspira com o beija flor. E o final, ninguém esperava que ocorresse. Cada um seguiu um caminho diferente a partir do momento que um ponto fez questão de acabar com tudo, sem reticências, sem três pontos ou exclamações para haver continuações. E então escreveram depois do ponto final. Em outra linha. Em outra folha. Em outro livro.
— Sarah S.
“Nada nessa vida é fácil, ou você pula ou te empurram. Simples assim.
— Daniela Soares